Se estas páginas se olhassem no espelho, o que mais elas veriam se não a fome dos sedentos e a entrega das palavras às coisas e às esquinas em pedaços que o tempo veda como uma cerca? Encontrariam, - esbarrados pela força gritante, a estética dos versos cortantes e urgentes de Marília Kosby.  Ficariam com sede dos famintos e de todos os loucos, incomodados e desesperados descritos na poesia de Rogério Nascente. Ficariam densas, como num filme não editado ao obsceno brilho do real que jorra em Pedro Gonzaga. Se essas páginas se olhassem no espelho, as veriam como uma mulher em pedaços mesclando-se em neva e hálito de pimenta, como a cafonice do amor sem tempo de Alexandre Vergara. Dá choro, mas dá samba com o ritmo do passo malemolente que Marina Mara excita a dançar e ouvir. Se essas páginas se olhassem no espelho,  veriam um corpo, maquilado e belo, tal qual a suavidade tácita de Gabriela Lamas. Intactas e dentro de si, se constrangeriam com os detalhes do mundo retratados em imagens de Raul Garré. Diante do espelho, essas páginas permaneceriam. Como uma vida que já não passa, de decomposição.


Leia a terceira edição da revista
mandinga - poesia e fotografia [on line]


ou baixe o arquivo para seu computador
[melhor visualização com páginas duplas]