Quando o poeta Manoel de Barros disse que a essência da conversa entre
aves e pedras; rãs e águas era unicamente a poesia, ele estava certo. A
edição 2 da Mandinga traz as mais destemidas rotações de temperaturas,
criações e elementos que se encontram pelo inconfundível e urgente caminho
da poesia. Pelas páginas, imagens cotidianas, mundanas, livres e bucólicas
do fotógrafo Nauro Junior encontram palavras nos versos de seis poetas
de Pelotas, Rio Grande, Porto Alegre, Cuiabá e Lisboa.

“É o vinho”, Daniela Delias escreve. Repare. Como chuva derramada, a
excitação de sua poesia convidativa suspira tanto quanto a sede da vida de
pássaros, mamíferos e as asas dos poemas serenos e pulsantes de Duda Keiber.
Do lado norte de quem vem de cima, um homem cruza-se com ele e aqui dentro:
Paulo José Miranda fala de morte e do primeiro orvalho de uma manhã tímida de sol.
Ambos tão profundos como a rima que decide de Israel Mendes, poeta que traz a
elegância de uma borboleta ao passo que prende com rigidez a força da palavra.
Mirian Marclay é indomável com um amor carnal, por entre feras e belas, paixões,
solidão e perfeição. Há quem lembre o dia em que a poesia levou alguém de
dentro: Gabriel Borges sente saudades e respira o tempo. Tempo que não tirou
de dentro de si, a poesia.

Talvez, o que nos resta é seguir assim, buscando e desesperando poemas nus.
Poemas silenciosos. Poemas-imagens. Poemas vivos ou mortos. Como quando
Drummond convidou o mundo a chegar mais perto e contemplar as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra. Talvez nos reste seguir
buscando mais faces, até que a poesia nos enxugue. E comecemos tudo
outra vez. A procura de mais.

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mandinga - poesia e fotografia [on line]


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